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sexta-feira, 29 de março de 2013

Samara - palavras finais



"Temos recebido o bem de Deus 
e não receberíamos também o mal?" 
(Jó 2.10b)

Nossa Samara nasceu e faleceu no dia 20 de março de 2013. Não pude vê-la, só Campos, meu marido, que a enterrou junto ao seu avô, Daniel Rocha Guimarães, e bisavô, Daniel Almeida Guimarães. Campos disse que ela tinha a cabeça parecida com a dele, mas que os olhinhos e a boca eram iguais às minhas - por fora estava formada, mas seus órgãos internos não puderam enfrentar o nosso mundo.
A mim me foi concedido senti-la dentro de mim, principalmente seus chutes vigorosos, e ouvir apenas uma única vez a sua voz, quando chorou. Guardo comigo essas sensações e aquele precioso som, que nunca sairão de dentro de mim.
A tristeza, a falta, a dor, a decepção e as lágrimas transbordam da minha alma e inundam meu corpo, mas ainda assim tenho que ser grata:
  • grata às minhas tias Tânia, Eliane, Elenice e Cássia, da família Guimarães, que foram muito mais que tias - lutaram e me acolheram como mães!
  • grata ao Pr Guimarães e Tia Débora, pela sua influência dentro do hospital, conseguindo um quarto mais confortável para atravessarmos nosso calvário (e nesses dias de Páscoa penso em Maria, vendo seu filho sofrer e morrer);
  • grata aos nossos outros parentes, tias, primas, parentes de parentes, os irmãos de Campos e seus cônjuges, sua "boadrasta" e especialmente seu pai, Pr Nelson, pela presença, apoio e solidariedade em todos os momentos;
  • grata pela vinda do meu irmão, Alexandre, e sua esposa, que me fez lembrar da história de Ester e seu propósito;
  • grata pelas enfermeiras humanas e cheias de compaixão (não todas, mas a maioria), que fizeram o contraste  com os médicos frios e desumanos que trataram minha filha viva como morta;
  • grata pelos outros pastores que Deus tem colocado em nossas vidas durante o nosso vale da sombra da morte, com seus cuidados, amizades e sentimentos - Pr Élio Moraes, Pr Paulo Carlos e Pr Marcos Bitencourt;
  • grata pela família da Igreja Batista em San Martin, por suas orações, pelas visitas e escalas para ficar no hospital e agora em casa, pelos cuidados até com nossa casa e roupas;
  • grata pelos amigos e desconhecidos que desde o início e até aqui nos tem sustentado em oração - os de Recife, Brasília, São Paulo, Minas (em especial a cunhada de Campos, Cibelle, e a  Ana Paula Valadão, por terem levantado a rede de intercessão do Ministério Diante do Trono), Espírito Santo, EUA (em especial a Raquel Cunha, por ter levantado outros) e os de outros locais que não mencionamos por ter se estendido enormemente essa rede de intercessores;
  • grata a Deus por ter levantado todos estes que mencionei e, como disse o Pr Paulo, por nos ter feito pai e mãe da Samara - para alguns Deus concede anos com seus filhos, para nós foram apenas meses, mas fomos pais e tenho a consciência firme que fizemos tudo o que podíamos para cuidar da nossa filhinha;
  • grata ao meu marido - amigo, companheiro, amoroso, fiel e zeloso - a quem tanto amo e que sem seu amor e parceria infinda não estaria ainda lúcida. 
Não sei como a nossa vida seguirá, apenas que levarei comigo essa falta sem tamanho, e peço que continuem me ajudando, não mencionando nada ao me verem pessoalmente, pois assim me ajudarão a conter as lágrimas, e principalmente, que continuem colocando a mim e a Campos diante do nosso Deus, para que a Sua paz e misericórdia caia sobre nós.

"O Senhor deu e o Senhor o tomou; 
bendito seja o nome do Senhor"
(Jó 1.21)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

FILHO DE QUEM?



      Dia dos Pais – meu coração fica silente, calmo, mas mesmo depois de quase 10 anos meus olhos insistem em marejar. A saudade é minha companheira mais intensa, simplesmente porque minha identidade está intrinsecamente ligada ao meu pai, Pr Daniel Rocha Guimarães. O sobrenome “Guimarães” me identifica, mesmo possuindo o nome do meu amado no final, e deste sobrenome surge o principal, as referências, cuja identificação pessoal começa sempre por “filha de...” e desemboca em “neta de...”, sobrinha de...” e assim por diante.

           Entretanto, o orgulho de carregar este sobrenome está mais ligado a outro tipo de referência. O temor a Deus, a sabedoria, a busca pelo conhecimento, a liderança, a misericórdia, o amor, a paz, a firmeza, a justiça, o relacionamento, o ministério, o lidar com o sofrimento, enfim, tudo que faz parte de mim hoje é fruto da referência de vida do meu pai. Ele demonstrou de forma terrena o relacionamento do Grande Pai conosco, Seus filhos.

(imagem retirada de  http://www.cefascast.org)   
         Perfeito? Não, de maneira nenhuma, nem a minha família, tão cheia de problemas como as de todos nós. Pensando nisso, e no pesar do meu coração nestes dias, coloco-me no lugar daqueles que possuem um pai cujas atitudes gostariam de esquecer e daqueles que nunca conheceram seu pai.  Ainda assim, devemos repetir a pergunta: Sou filho de quem? Filho do Deus vivo, que nunca me decepciona, perfeito, o Supremo Pai amoroso!

        Tudo isto me remete a uma conversa de Jesus com alguns judeus, no capítulo 8 de João, que se orgulhavam de serem “filhos de Abraão”, linhagem oficial do povo de Deus – “Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus” (v. 41), mas não reconheceram o filho de Deus. Ao que Jesus respondeu:

 “Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis (...). Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (...). Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus” (v. 42-47).

            Lendo este texto retorno à pergunta inicial. Ah, quantos se declaram filhos de Deus, mas só abrem suas bocas para despejar homicídio em forma de palavras, ou mentiras e distorções! Declaram-se “filhos de Deus”, mas nunca se firmam na verdade! E pior – “filhos de Deus” que não conseguem escutar as palavras de Deus!!!  “Filhos de Deus” que não conseguem ouvir quem está falando em nome de Deus. “Filhos de Deus” que não conseguem cultuar a Deus??? Estais certos disso???

             Que neste Dia dos Pais foquemos nossa maior gratidão ao Pai Supremo, que consola e acolhe como filhos legítimos todos os órfãos, abandonados e sofridos filhos de pais terrenos. Todos nós podemos ter orgulho de sermos filhos de Deus e pertencermos a uma família enorme, espiritual, cujos laços continuarão por toda eternidade, mas somente se pudermos responder corretamente – “Sou filho de quem, mesmo?”

“Jesus disse-lhes: Se fosseis filhos de Abraão,
faríeis as obras de Abraão”. João 8:39