quarta-feira, 29 de maio de 2013

O REGENTE



PARA QUE SERVE AQUELA PESSOA "ABANANDO OS BRAÇOS" NA FRENTE DE UM GRUPO DE MÚSICOS?

Em primeiro lugar, aquela pessoa é o Regente (Conductor, em inglês) - alguém que estudou entre 4 a 6 anos, se considerarmos apenas o nível da graduação, passando por diversas matérias teóricas e práticas a fim de conhecer o máximo possível para conduzir outros na interpretação de músicas.
Dentro do conhecimento necessário ao Regente podemos citar a Teoria e leitura musical (em diversas claves), o Contraponto, a Harmonia, a História Universal da Música, os estilos musicais, a Técnica da Regência e do Canto, o domínio de pelo menos um instrumento, o funcionamento e a afinação dos instrumentos musicais, entre várias outras!
Sendo assim, o regente deve ser considerado um especialista da área e, por isso mesmo, tem a função de conduzir os outros músicos (instrumentistas ou coristas) em uma interpretação única e sincronizada da música em questão, zelando, além de tudo o que já foi citado, pelo equilíbrio sonoro de todos os músicos reunidos.

E O QUE É AQUELA "VARINHA" QUE ALGUNS REGENTES USAM?

Não é uma "varinha de condão", rsss - se bem que muitos regentes gostariam de ter uma varinha mágica!
Essa varinha é um bastão, em geral de madeira leve, com 15 a 20cm de extensão, chamado Batuta (do italiano, battuta, "batida" - baton, em inglês). Na antiguidade usava-se um bastão grande de madeira para bater no chão a pulsação da música. Posteriormente, na Idade Média, surgiram as primeiras batutas na Europa. 
A batuta nada mais é do que uma extensão da mão do regente, um objeto usado para que a visualização dos gestos do regente seja maior - por isso mesmo ela é usada para a condução de grupos grandes de instrumentistas, como as orquestras, ou de grandes coros. Mesmo assim, vários regentes têm dispensado o uso da batuta na condução de grandes coros, por entenderem que as duas mãos livres traduzem maior expressividade.         

QUAL O PAPEL DOS INSTRUMENTISTAS/CORISTAS DIANTE DO REGENTE?

Se o papel do regente é conduzir, o outro lado deve segui-lo!
O respeito dos músicos ao regente deve-se ao fato de ele ser o especialista e do entendimento de que todos devem seguir uma só linha de interpretação para que a música seja executada com plena harmonia de todas as partes, como se fossem um só!
No momento da execução musical, o que engloba os ensaios, pode até haver músicos com maiores qualidades ou conhecimentos musicais no grupo, ou pensamentos diferentes sobre a interpretação, mas o líder é o regente, por isso todos o seguem, em submissão e em prol da execução única.

O QUE ACONTECE SE A MESMA MÚSICA FOR CONDUZIDA POR REGENTES DIFERENTES?

A música não mudará - as notas, os ritmos... - mas a interpretação, sim!
Por vezes são mudanças sutis, que só um ouvinte treinado observará; mas em outras a música parece transformar-se em outra, tudo por causa da interpretação - diferenças nas dosagens das dinâmicas, na leitura dos andamentos, na ênfase nas articulações, na leitura do estilo, na expressividade, etc...

Pra finalizar, deixo um vídeo super bem humorado que exemplifica o papel do regente e, principalmente, de quem o está seguindo!      





sexta-feira, 26 de abril de 2013

AGÊNCIA PREVIDÊNCIA SOCIAL (Corredor do Bispo/Recife) - EU POSSO!



Fui hoje lá - cheguei às 9:56hs, com um agendamento para 10:20hs e só consegui ser atendida 4 hs depois, terminando o atendimento às 14:20hs!

Passadas 2hs de espera comecei a reclamar, falando com todos os funcionários do setor e da recepção, inclusive os da segurança. Acompanhei a reclamação de vários outros contribuintes pelo fato da chamada da senha não seguir a ordem dos números (os funcionários disseram que as senhas são distribuídas aleatoriamente entre os médicos!). 

Também observei os pacientes do médico chinês que me atendeu reclamarem da imensa demora da perícia dele - zelo extremista, dificuldade em se fazer entender (por causa do sotaque) e demora em escrever o laudo (os próprios funcionários reclamaram que ficam até 20hs por causa dele!). Além disso, na minha vez o médico disse que meu marido devia ficar fora da sala (?) - eu tive que insistir e chamá-lo por conta própria (o que caracteriza constrangimento).

Depois de tudo isso ficamos esperando ainda mais pra reclamar com a gerente. Rapidamente ela me cortou ao ouvir que era uma reclamação da demora do médico em atender seus pacientes e disse que primeiro tinha que verificar se eu estava agendada pra ele ou se eu fui encaixada nele (eu nem sabia que o agendamento era vinculado a um médico específico!e destrinchou elogios ao médico (afirmando no entanto, saber que ele demorava) mas que não podia fazer nada - "porque ele é assim mesmo" (!). 
A gerente me disse que eu estava agendada para outra médica, que estava de licença médica, e que tinha sido encaixada no médico chinês – 
os casos de encaixes só são atendidos
depois de todos os outros pacientes do médico.
Ouvi da gerente: "como vê, não houve problema algum com o médico e você deveria ficar feliz em ter sido atendida, porque poderíamos ter feito um novo agendamento para daqui a um mês" (!!!!!!). Minha tradução livre: "você não tem do que reclamar, nós até estamos fazendo um favor pra vc!".
..
Só se for tempo maior de espera e descaso
É claro que eu rebati - por um acaso eu não deveria ter sido informada que eu seria encaixada e por isso ficaria por último? Ela respondeu que o pessoal da recepção deveria ter dito, mas rapidamente justificou que 3 médicos estavam de licença, que a recepção sempre está cheia, que a atendente estava em treinamento, que na próxima vez eu devia perguntar qual era o médico (não é trabalho deles informar???)...

"Mas a moça que está em treinamento fica sozinha na recepção?", disse eu.  A gerente, de novo, tentou justificar dizendo que havia outra funcionária de férias, que... um bocado de justificativas! E mais uma vez frisou que eu devia estar feliz por ter sido atendida! 

Encerrando a conversa, eu disse que gostaria que ela assumisse os erros dos funcionários daquela agência.
"Mas eu neguei?"
"Tentou, não é mesmo?"
Logo ela mudou o tom altivo para um mais maleável, dizendo que em nenhum momento negou que houve erros e disse que iria alertar os funcionários (será que vai mesmo?). 

O QUE FICA DO FATO?

Nós pagamos pelo serviço 
e somos tratados com descaso e, pior, 
como se estivéssemos recebendo um favor!

Falta de informação precisa no atendimento...

Agendamento por horário que, 
comprovadamente, não funciona...

Senhas numéricas que, no fim das contas, 
não são seguidas...

4 horas de espera no atendimento...

Constrangimento...

Protecionismo e sentimento claro que ninguém pode fazer nada contra 
o modo como eles trabalham...

MAS EU POSSO!

Posso falar aos conhecidos e reclamar para a ouvidoria nacional e até pro ministério da previdência! 
Quem me conhece sabe que eu não sou de "deixar pra lá", e é claro que peguei toda a documentação pra comprovação.
Ah, se todos os insatisfeitos com os serviços públicos não se omitissem!




sexta-feira, 29 de março de 2013

Samara - palavras finais



"Temos recebido o bem de Deus 
e não receberíamos também o mal?" 
(Jó 2.10b)

Nossa Samara nasceu e faleceu no dia 20 de março de 2013. Não pude vê-la, só Campos, meu marido, que a enterrou junto ao seu avô, Daniel Rocha Guimarães, e bisavô, Daniel Almeida Guimarães. Campos disse que ela tinha a cabeça parecida com a dele, mas que os olhinhos e a boca eram iguais às minhas - por fora estava formada, mas seus órgãos internos não puderam enfrentar o nosso mundo.
A mim me foi concedido senti-la dentro de mim, principalmente seus chutes vigorosos, e ouvir apenas uma única vez a sua voz, quando chorou. Guardo comigo essas sensações e aquele precioso som, que nunca sairão de dentro de mim.
A tristeza, a falta, a dor, a decepção e as lágrimas transbordam da minha alma e inundam meu corpo, mas ainda assim tenho que ser grata:
  • grata às minhas tias Tânia, Eliane, Elenice e Cássia, da família Guimarães, que foram muito mais que tias - lutaram e me acolheram como mães!
  • grata ao Pr Guimarães e Tia Débora, pela sua influência dentro do hospital, conseguindo um quarto mais confortável para atravessarmos nosso calvário (e nesses dias de Páscoa penso em Maria, vendo seu filho sofrer e morrer);
  • grata aos nossos outros parentes, tias, primas, parentes de parentes, os irmãos de Campos e seus cônjuges, sua "boadrasta" e especialmente seu pai, Pr Nelson, pela presença, apoio e solidariedade em todos os momentos;
  • grata pela vinda do meu irmão, Alexandre, e sua esposa, que me fez lembrar da história de Ester e seu propósito;
  • grata pelas enfermeiras humanas e cheias de compaixão (não todas, mas a maioria), que fizeram o contraste  com os médicos frios e desumanos que trataram minha filha viva como morta;
  • grata pelos outros pastores que Deus tem colocado em nossas vidas durante o nosso vale da sombra da morte, com seus cuidados, amizades e sentimentos - Pr Élio Moraes, Pr Paulo Carlos e Pr Marcos Bitencourt;
  • grata pela família da Igreja Batista em San Martin, por suas orações, pelas visitas e escalas para ficar no hospital e agora em casa, pelos cuidados até com nossa casa e roupas;
  • grata pelos amigos e desconhecidos que desde o início e até aqui nos tem sustentado em oração - os de Recife, Brasília, São Paulo, Minas (em especial a cunhada de Campos, Cibelle, e a  Ana Paula Valadão, por terem levantado a rede de intercessão do Ministério Diante do Trono), Espírito Santo, EUA (em especial a Raquel Cunha, por ter levantado outros) e os de outros locais que não mencionamos por ter se estendido enormemente essa rede de intercessores;
  • grata a Deus por ter levantado todos estes que mencionei e, como disse o Pr Paulo, por nos ter feito pai e mãe da Samara - para alguns Deus concede anos com seus filhos, para nós foram apenas meses, mas fomos pais e tenho a consciência firme que fizemos tudo o que podíamos para cuidar da nossa filhinha;
  • grata ao meu marido - amigo, companheiro, amoroso, fiel e zeloso - a quem tanto amo e que sem seu amor e parceria infinda não estaria ainda lúcida. 
Não sei como a nossa vida seguirá, apenas que levarei comigo essa falta sem tamanho, e peço que continuem me ajudando, não mencionando nada ao me verem pessoalmente, pois assim me ajudarão a conter as lágrimas, e principalmente, que continuem colocando a mim e a Campos diante do nosso Deus, para que a Sua paz e misericórdia caia sobre nós.

"O Senhor deu e o Senhor o tomou; 
bendito seja o nome do Senhor"
(Jó 1.21)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

FILHO DE QUEM?



      Dia dos Pais – meu coração fica silente, calmo, mas mesmo depois de quase 10 anos meus olhos insistem em marejar. A saudade é minha companheira mais intensa, simplesmente porque minha identidade está intrinsecamente ligada ao meu pai, Pr Daniel Rocha Guimarães. O sobrenome “Guimarães” me identifica, mesmo possuindo o nome do meu amado no final, e deste sobrenome surge o principal, as referências, cuja identificação pessoal começa sempre por “filha de...” e desemboca em “neta de...”, sobrinha de...” e assim por diante.

           Entretanto, o orgulho de carregar este sobrenome está mais ligado a outro tipo de referência. O temor a Deus, a sabedoria, a busca pelo conhecimento, a liderança, a misericórdia, o amor, a paz, a firmeza, a justiça, o relacionamento, o ministério, o lidar com o sofrimento, enfim, tudo que faz parte de mim hoje é fruto da referência de vida do meu pai. Ele demonstrou de forma terrena o relacionamento do Grande Pai conosco, Seus filhos.

(imagem retirada de  http://www.cefascast.org)   
         Perfeito? Não, de maneira nenhuma, nem a minha família, tão cheia de problemas como as de todos nós. Pensando nisso, e no pesar do meu coração nestes dias, coloco-me no lugar daqueles que possuem um pai cujas atitudes gostariam de esquecer e daqueles que nunca conheceram seu pai.  Ainda assim, devemos repetir a pergunta: Sou filho de quem? Filho do Deus vivo, que nunca me decepciona, perfeito, o Supremo Pai amoroso!

        Tudo isto me remete a uma conversa de Jesus com alguns judeus, no capítulo 8 de João, que se orgulhavam de serem “filhos de Abraão”, linhagem oficial do povo de Deus – “Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus” (v. 41), mas não reconheceram o filho de Deus. Ao que Jesus respondeu:

 “Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis (...). Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (...). Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus” (v. 42-47).

            Lendo este texto retorno à pergunta inicial. Ah, quantos se declaram filhos de Deus, mas só abrem suas bocas para despejar homicídio em forma de palavras, ou mentiras e distorções! Declaram-se “filhos de Deus”, mas nunca se firmam na verdade! E pior – “filhos de Deus” que não conseguem escutar as palavras de Deus!!!  “Filhos de Deus” que não conseguem ouvir quem está falando em nome de Deus. “Filhos de Deus” que não conseguem cultuar a Deus??? Estais certos disso???

             Que neste Dia dos Pais foquemos nossa maior gratidão ao Pai Supremo, que consola e acolhe como filhos legítimos todos os órfãos, abandonados e sofridos filhos de pais terrenos. Todos nós podemos ter orgulho de sermos filhos de Deus e pertencermos a uma família enorme, espiritual, cujos laços continuarão por toda eternidade, mas somente se pudermos responder corretamente – “Sou filho de quem, mesmo?”

“Jesus disse-lhes: Se fosseis filhos de Abraão,
faríeis as obras de Abraão”. João 8:39

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Da contratação de um pianista na Igreja - o tipo de pianista


(imagem retirada de http://theatrosaojoaodesobral.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html) 

      Existem diferentes tipos de pianistas - o Concertista ou Solista, o Camerista, o Correpetidor e o Acompanhador ou Colaborador.

      O Concertista é aquele que se apresenta em concertos (1), ou que foi treinado para isso, para ser solista - toda a sua execução musical depende apenas de si mesmo. 

      O termo "Camerista" vem da música de câmara, que pode ser definida como música erudita escrita para um pequeno grupo de músicos, geralmente instrumental sendo quase sempre menos de dez executantes (apenas uma parte para cada instrumento), tocada facilmente em uma sala pequena, ou, no passado, em uma casa particular (2; 3, págs 20-21).

      Sobre o Correpetidor:
"Para ADLER (1976) o termo PIANISTA CORREPETIDOR vem de uma adaptação de outros idiomas tais como répetiteur (francês) e Korrepetitor (alemão). No francês, répetition significa ensaio, e  repetiteur é o pianista encarregado do ensaio e preparação de cantores e/ou instrumentistas. Em alemão, o termo  Korrepetitor refere-se ao pianista preparador, tanto vocal como  instrumental. Concluímos então que o PIANISTA CORREPETIDOR é aquele – assim como o répetiteur e o Korrepetitor – que desempenha função de ‘ensaiador’ para preparação de solistas para  performance, realizando ou executando reduções de orquestra, juntamente com o professor de canto, de instrumento ou com o maestro – e se necessário, até mesmo substituindo-os" (3, pág 22). 

       Outro termo usado para o Correpetidor, que pode clarear o seu significado, é coach:
"o coach - se relaciona mais ao canto lírico onde o pianista atua com grupos de ópera e cantores diversos, contribuindo no ensaio dos papéis dos personagens bem como no repertório dos mesmos. O correpetidor também é um profissional que possui conhecimentos em técnica vocal, dicção lírica e fonética e conhecimento de diversos idiomas estrangeiros além de trabalhar com o repertório vocal". (4)

       Enfim, como definiu meu amigo e regente Gerônimo Brito, o pianista correpetidor é um regente disfarçado.



       A nomenclatura "Acompanhador"  pode colocar em segundo plano a importância do pianista e, por isso, vem sendo substituída por "Colaborador" (collaborative pianist) - aquele que toca com um ou mais instrumentistas e/ou cantores, colaborando com os demais para a produção de uma obra, o que o coloca em pé de igualdade com os demais (3, pág. 25).
      O Colaborador precisa observar as técnicas e particularidades dos outros instrumentos/cantores, assimilar suas interpretações para resultar em uma execução una, indivisível e equilibrada (3, pág. 25).

       Finalizando, é importante notar que todos os pianistas passam pela mesma formação (saberes específicos) (5), apurando sua técnica pianística através do estudo do piano solo, entretanto, os cameristas, correpetidores e colaboradores desenvolvem a habilidade de interação com outros através da vivência nessas áreas (saberes da experiência) (5), o que os leva a se especializarem cada vez mais através da busca dos outros conhecimentos necessários, como as técnicas e particularidades de outros instrumentos e vozes, fonética e pronúncia de outras línguas e regência, para intervir na realidade (saberes pedagógicos) (5). 

    Ao cogitar na contratação de um pianista na Igreja a primeira questão deve ser:

 QUE TIPO DE PIANISTA DEVE SER CONTRATADO?

    Para responder basta uma rápida observação sobre o trabalho de um pianista na igreja, que geralmente envolve:
1-Acompanhar conjuntos e coros
2-Fazer ensaios de naipes
3-Tocar músicas por partitura e por cifras
4-Ter boa leitura à primeira vista
5-Tocar em conjunto com outros instrumentos
6-Acompanhar as indicações e interpretações dos regentes

     Podemos concluir que não basta ser um concertista/solista - que o digam os regentes de coros que possuem pianistas que, nos termos coloquiais, "vão se embora sozinhos e quem quiser que os siga"! 
     O ideal para a igreja é contratar um pianista Colaborador ou Correpetidor, cujas características já expostas acima devem ser observadas no currículo e/ou através de entrevista oral e prática, realizada, obviamente, por alguém que entenda da área e das necessidades musicais da Igreja em si.   

Referências:
(1) http://www.dicio.com.br/concertista/
(2) http://dictionary.cambridge.org/dictionary/british/chamber-music
(3) MUNDIM, Adriana Abid. Pianista Colaborador: a formação e atuação performática voltada para o acompanhamento de Flauta Transversal. Dissertação apresentada ao Programa de 
Pós-Graduação como requisito parcial para a obtenção do título de 
Mestre em Música. Orientadora: Profª Drª Margarida Borghoff. Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.  
(4) http://ocorrepetidor.blogspot.com.br/2010/12/o-que-e-correpetidor.html
(5) citação de Pimenta, Selma Garrido em CUNHA, Kátia Silva. Desafios da formação continuada no processo de construção da identidade profissional. LUMEN, Recife, v.18, n.2, jul/dez 2009, p.61-75. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma Característica Esquecida


Muito se tem falado e estudado sobre as características do cristão. Ora, cristão é aquele que segue a Cristo, quero dizer, aquele que O imita, logo, devemos ser amorosos, fiéis, humildes, de confiança, etc... Exatamente dentro desse “etc” é que encontrei nesses últimos meses uma característica esquecida, não tão estimulada, mas tão freqüente na vida do nosso Mestre.
Cabe aqui um breve parênteses: é fato que já ouvi várias vezes sobre ela, mas como, com tanto “tempo de igreja”, não havia percebido a sua enorme dimensão e importância e, conseqüentemente, seu necessário desenvolvimento na vida do discípulo?
Essa foi a característica que superabundou no relacionamento de Deus com Seu povo Israel, que motivou Jesus a ensinar às multidões sem orientação espiritual (Mc 6.34), a cuidar não só da parte espiritual mas também das necessidades físicas básicas (Mt 15.32), e a se aproximar dos marginalizados não se importando com o que as pessoas iriam falar (Mt 9.10-13). Acabou? Não! Apenas folheando os quatro evangelhos notei muitas outras menções literais a essa característica nas atitudes de Cristo, isso sem falar na sua total presença na história da salvação, o que inclui a regeneração e o uso poderoso de pessoas que nós, sinceramente, nunca teríamos sequer cogitado.  
A essa altura alguns de vocês devem estar pensando: “É o amor”. Sim, pois esta característica está contida dentro dele, mas tem uma perspectiva especial, singular – estou falando da compaixão! Esse sentimento que nos faz sentir a dor, o sofrimento, a necessidade do outro, mesmo que este seja desconhecido; que nos enche de um incômodo interior tão grande que necessariamente nos move a fazer algo em prol do outro; que repensa a importância das convenções e regras estabelecidas; que ultrapassa as barreiras do preconceito da sociedade ou até eclesiástico! Um sentimento que pode existir apenas em alguns momentos, como nas grandes tragédias, ou que pode tornar-se uma característica daquele que a estimula em todas as suas ações, como na vida de Cristo.
      Ahh! A compaixão! Tão mencionada como sentimento, tão esquecida como característica do cristão! É só imaginar: como seria o evangelismo? A ação social? Os relacionamentos? Os comentários que saem de nossas bocas? As decisões e atitudes? Tudo mudaria com um pouco mais desse sentimento, que dirá com cristão conhecidos por essa característica!

(figura retirada de http://umcaminhoparaatransformacaodamente.wordpress.com/2011/01/08/compaixao/ )

 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Convenção da Centésima Ovellha – Reflexões Finais

Devido à grande repercussão da inusitada (e fictícia) Convenção da Centésima Ovelha, a última tarde foi aberta ao público, quando os grupos de discussão apresentaram suas conclusões na plenária. Assim, lá estava eu, aproveitando a grande oportunidade – ouvindo, refletindo e anotando...

(imagem retirada de http://praquepensar.wordpress.com)
1-    Nem todos os que se afastam da igreja o fazem propositadamente;

2-    Aqueles que foram se afastando aos poucos poderiam ter permanecido na comunhão se alguém logo notasse a situação e os acompanhasse de perto;


3-    Da mesma forma, todos os que passam por grandes mudanças em suas vidas precisam de irmãos mais próximos que os façam sentirem-se acolhidos, seguros e assistidos, permanecendo juntos durante todo o processo;



(imagem retirada de http://www.mujeresdeempresa.com)
4-    Os que deixaram a congregação por falta de tempo só conseguirão voltar se reorganizarem suas prioridades, talvez deixando algumas coisas. Para isso é extremamente necessário o apoio, incentivo e colaboração de seus familiares mais próximos, especialmente seus cônjuges;

(imagem retirada de http://pensante-eu.blogspot.com)
5-    Aqueles que saem decepcionados com atitudes de membros e líderes possuem grandes feridas abertas e geralmente não querem nem ouvir falar de igreja. Então, esse assunto deve ser evitado por um bom tempo – permanecer em contato, criar formas de se encontrar pessoalmente, desenvolver a amizade e, dentro dela, a conversação a um nível cada vez maior de confiança, serão melhores alternativas. Haverá, posteriormente, o momento certo para “criar um gancho”, deixando o próprio afastado expor sua ferida e pincelar aqui e ali algumas palavras que o façam pensar...

6-    Em alguns casos, fazer pensar é melhor do que chegar com conclusões e soluções prontas;

7-    Em outros casos, um amigo chegado que tenha a coragem de falar toda a verdade em uma conversa franca é tudo de que o afastado precisa para começar o caminho de volta;

(imagem retirada de http://biblicadapazura.blogspot.com)

8-    Para os que saíram por se sentirem sozinhos na multidão, nada melhor do que demonstrar que fazem falta: telefonar, convidar, visitar, buscar, sentar junto, conversar, sair para comer... Por que não?  

(imagem retirada de http://poedeque.blogspot.com)
9-    Alguns que se afastam por terem caído no pecado dizem que estão bem e que “já passaram de fase”– para estes, orar para que o Espírito os convença do pecado é o primeiro passo; outros procuram outra igreja em que possam continuar a viver como “crentes” mantendo “em segredo” o seu pecado ou simplesmente vão para igrejas que não “cobram” testemunho – no fundo estes admitem que estejam errados, mas precisam lembrar o que a Bíblia ensina sobre santidade e que de Deus ninguém pode esconder nada; outros lutam com a voz acusadora do diabo os chamando de indignos – salientar a graça e o amor de Deus é o caminho; ainda outros têm medo do olhar e das palavras de acusação dos irmãos – recebê-los com amor, e apenas isso, fará toda a diferença;

10-  A recuperação de um afastado só começa a ter êxito quando o próprio der um primeiro passo em direção a Deus, e isso pode levar tempo, talvez anos, portanto, duas palavras chaves para este ministério são: ORAÇÃO e PERSEVERANÇA!

(imagem retirada de http://obrademarianazare.blogspot.com )


(fontes: http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=998 e http://familia-restaurada.blogspot.com/2011/01/afastados-da-igreja.html)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Convenção da Centésima

Após alguns poucos anúncios pelos sites de relacionamentos, logo as inscrições começaram a aparecer, afinal, esta seria uma convenção diferente, nunca vista antes, e no dia marcado chegaram dezenas, centenas, milhares de inscritos!
Passadas as formalidades de abertura, os facilitadores fizeram breves relatos enquanto os inscritos os escolhiam por afinidade para seus grupos de discussão.
(imagem retirada de http://angela-marinho.blogspot.com)

O primeiro facilitador relatou que tudo aconteceu aos poucos, quase sem perceber, e, com certeza, sem intenção – apenas viu-se envolvido em cada vez mais coisas, sugando quase todo seu tempo... Imediatamente centenas de inscritos o escolheram.

(imagem retirada de http://cuidardebebe.com) 

         A segunda contou que houve uma mudança grande em sua vida, se casou e logo teve um filho – foi durante essa fase de adaptação que aconteceu. Ela trouxe consigo alguns amigos para ajudá-la na condução da discussão – todos tinham o mesmo motivo, uma mudança na vida, mas um havia sido transferido de cidade, outro se divorciou e o último lidava com a morte de seu pai. Outras centenas de inscritos se encontraram nesse grupo.
(imagem retirada de  http://reformadosr.blogspot.com )

O próximo facilitador foi bem direto: apenas  disse que havia se decepcionado com as atitudes das pessoas, em especial dos líderes, e logo centenas de inscritos se identificaram.   
O seguinte disse que ele e sua esposa não conseguiram se envolver de fato com os demais – todos já tinham seus cargos, funções e seus núcleos de amizade. Aos poucos, foram se sentindo sozinhos na multidão e, como não faziam falta... Desta vez o grupo de inscritos que o escolheu foi um pouco menor que os outros, mas ainda com bastante gente.
(imagem retirada de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Reprovado_pela_panelinha.svg) 

(imagem retirada de http://musica.uol.com.br e editada)
Finalmente, o último facilitador deu o seu relato e arrecadou todas as centenas de inscritos restantes no estádio. Estes não precisaram se deslocar, pois a equipe de organização já havia previsto que seria o grupo maior – eram os que, em algum momento da vida, disseram pra si mesmos - “Só desta vez...” ou “Que mal há nisso?” – e quando perceberam já estavam com as pernas presas na lama do pecado.

Assim iniciou-se a Convenção da Centésima Ovelha... 
(imagem retirada de  http://megaphoneadv.blogspot.com)
Não, isso não é verídico, é apenas fruto da minha mente fértil, mas seria interessante saber o que as ovelhas que saíram do aprisco, os afastados, desviados, ou qualquer outro nome que se dê a eles, disseram em seus grupos de discussão dessa Convenção fictícia. Qual a história deles? Como se sentem? Porque não voltam?
Hoje em dia está cada vez mais rara a existência de igrejas que possuam um trabalho específico para trazer de volta ao aprisco as ovelhas que saíram e não voltaram mais. E pasmem, alguns líderes chegam a expressar abertamente o seu descaso pelas ovelhas! Onde anda a compaixão? Onde está o cuidado?
O ensinamento de Jesus é claro: "Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la?” (Lc 15.4)

Você está sentindo falta de alguém no aprisco? O que vai fazer?